sábado, 22 de outubro de 2011

Essências

Duas versões da mesma música.
Esta é a do Zucchero -  Tutti i colore della mia vita. Confira:



Esta é a versão original  -  I won't let you down, de Ph.D.



Os ritmos são COMPLETAMENTE diferentes, mas as letras se mantiveram bem parecidas.

É mais ou menos assim na vida. Podemos até seguir caminhos diferentes, mas nossas essências continuam as mesmas, não importa quanto tempo passe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ainda os Vilões

“As palavras ainda ecoam na minha mente. Parece que foi ontem que tudo se encaixou e que eu descobri que havia sobrevivido à explosão.
Nunca tomei nenhuma atitude sem ao menos pensar nas consequências dos meus atos. Responsabilidade. Palavra que carrega um enorme conceito. Luto também por isso e pelo que ela representa hoje em dia. Pode parecer demagogia, mas esse ideal tão nobre e heroico, não é hoje defendido justamente por um herói, mas sim por mim, o vilão.
Vitimismo? Sentimento de pena? Não. Já passei dessa idade e dessa fase. Lido com fatos. Preciso encará-los de frente toda manhã, sem exageros, sem paixões. Aliás, engraçado falar em paixões agora. O que é um vilão a não ser uma criatura extremamente apaixonada? Está em sua essência, em sua constituição ser apaixonado. Por si ou por alguém, mas apaixonado. Tudo que ele faz, no final, é pra ter a atenção da mocinha, simples. Ele passa o filme todo tentando raptá-la para fazer com que ela se apaixone por ele. Mas aí chegam os heróis, esses bons moços sem nenhuma personalidade, sem defeito algum e a levam embora. Seria eu menos humano pelo fato de não seguir os estereótiopos de não ser alguém bonito ou ter boa aparência? Isso me tornaria o vilão – o fato de eu ser um ser humano falível e passível de erros?
Levanto todos os dias tendo que encarar o monstro terrível que sou, que me tornei. Insensível, sem coração, caminho rumo à maldade do dia. Luto comigo mesmo pra controlar a fúria dentro de mim, a vontade de sair destruindo tudo. É quando recebo às vezes um sinal, um simples gesto que me faz parar e acalmar. Confesso que nesse turbilhão de pensamentos desencontrados, de ira sobre ira, ódio sobre ódio, este pequeno sinal seja capaz de fazer tudo parar, ficar suspenso em animação. É como um oásis nesse deserto de sentimentos que vivo. É quando o vilão tem sua epifania e se sente humano, carne e ossos. É quando ele se sente mortal e sincero. Esses raros momentos fazem com que eu esqueça um pouco esse lado “Hulk” e acione meu lado Banner, o nerd raquítico criado pela tia.
Só eu sei da responsabilidade que carrego. Pra ser o que sou preciso estar sozinho. Pelo menos por enquanto. Não suporto a ideia de causar dor e/ou sofrimento em alguém. Quem sou eu, reles mortal, pra achar que nessa altura encontraria um anjo? Não mereço anjos. Tenho que trilhar meu caminho sozinho. Enfrentar meus medos, minhas frustrações, minhas angústias. Lutar cada dia contra aquilo que sempre achei estar traçado pra mim – a solidão. Entender que agora, nesse momento, só a cura total pode me colocar de volta no eixo. Mesmo que o preço a ser pago seja ser pra sempre o vilão e não ter a mocinha nunca mais.
Mesmo assim tenho esperança. E por mais incrível que possa parecer, posso deixar de ser o vilão pra poder voltar a acreditar em Deus.”

Bruce Banner