segunda-feira, 6 de junho de 2011

Moby Dick

Há muito tempo queria ler Moby Dick. Por várias vezes tinha pegado o livro nas mãos mas nunca tinha conseguido terminar a leitura. Hoje, depois de 30 anos, consegui ler até o final e entender sua mensagem.


Moby Dick é o mal interior dentro de todos nós. Aquela raiva inconteste, aquele ódio irracional que rompe o peito e que só nos dá vontade de gritar e destruir tudo ao redor. Aquela sensação de Ira que percorre nosso corpo inteiro e parece se perpetuar por alguns segundos. O autor, Herman Melville, personifica no gigantesco cachalote branco esse mal que persegue o homem desde o início dos tempos. Os religiosos chamam de demônio. Os céticos chamam de desilusão. Já os psicólogos chamam de depressão. Independentemente da versão, Moby Dick é o mal encarnado e à espreita. Aquela sombra desconhecida que de vez em quando surge em nossos corações e toma o lugar da nossa consciência.

É bem verdade que na outra ponta está o Capitão Acab, homem tomado pela obsessão de caçar e destruir a baleia que tempos antes, havia lhe atacado e arrancado sua perna. Acab enterra todos os seus sentimentos humanos e só tem por objetivo encontrar o monstro e enfrentá-lo mais uma vez. Nem que isso lhe custe a vida. No fim, o confronto inevitável acontece e ambos, Acab e Moby Dick são tragados para o fundo do mar, onde devem estar travando sua batalha até hoje. 
 
Penso que cada um de nós tem um Moby Dick dentro de si. Eu tenho. Em algumas ocasiões o mal e a desilusão tomam conta de mim e de minhas ações de forma incontrolável. Lembro de tudo de ruim que já me aconteceu, de todas as esperanças perdidas, de todos os que já se foram, de tudo aquilo que vi e vivi. Pois eis que na mesma hora, surge uma força sei lá de onde que me impele à lutar contra isso. Me põe de pé, com um arpão na mão, em plena tempestade de sentimentos e grita: "ATAQUE!". E lá vou eu, enfrentar esse monstro que mora dentro de mim. É nessas horas que não paro de lutar, mesmo diante do maior cachalote branco do mundo.

"E ele empilhou na corcova da baleia branca o acúmulo de raiva e ódio que sua raça sentia. Se seu peito fosse um canhão, nele teria disparado seu coração." (pág. 222)

"Avanço pra ti, ó cachalote destruidor e invencível, até no último instante luto contigo. Do coração do inferno te apunhalo e por ser tão grande o ódio que me inspiras, cuspo sobre ti o meu último alento". (pág. 645)