sexta-feira, 13 de maio de 2011

Viagem

Uma pessoa muito especial pra mim nesses últimos tempos irá fazer uma grande viagem daqui há alguns dias. Assim que soube fiquei num estado tal de alegria por ela que dava a impressão de que quem estava indo viajar era eu! Ouvi na voz dela toda a expectativa, toda a emoção que isso trás para uma pessoa. Toda viagem é uma mudança. Serve como um ponto final em alguns capítulos da vida ao mesmo tempo dá inicio à outros tantos.

Sempre gostei de viajar. É bem verdade que nunca tive muitas oportunidades, mas sempre que foi possível, dei minhas voltas por aí. A rotina nos deixa tacanhos demais, presos demais e o mundo é muito vasto pra deixemos ele de lado. Meu grande sonho é uma viagem internacional. Ok, já fui pro Paraguai e pra Argentina, mas quando digo internacional, é Internacional mesmo, tipo Europa, Ásia, America do Norte, coisas dessa magnitude. Quando era criança, o meu sonho era conhecer a Disney ou ir para o Egito ver as Pirâmides. E eu ainda tenho fé que vá pra esses lugares um dia. Outro sonho, esse mais focado nas minhas origens, é a Itália. Ah, a Itália! Terra de onde meus antepassados vieram e tão importante pra definir quem sou hoje. Um dia eu vou tomar um café lá, certeza!

Essa pessoa que irá viajar merece isso. Ele precisa disso. Precisa de um tempo só pra ela, sem a vigilância dos pais e a patrulha dos amigos. Ela precisa mais pra viajar dentro de si mesma do que em terra firme. Precisa reorganizar internamente sua geografia, descobrir novas paisagens dentro de si mesma, pisar nas areias de suas próprias memórias pra afinal, quando retornar de vez, se permitir viajar ao lado de alguém pra vida inteira. E eu tenho certeza que ela vai conseguir isso.

É muito complicado pra gente que fica expressar em palavras o que sentimos. Disse à ela que pra quem vai o turbilhão de imagens e sentidos faz com que a pessoa entre em estado de êxtase com tudo o que estará ao seu redor. A nós que ficamos, fica a presença da ausência, a saudade de abre um rombo no peito e dói. Mas eu vou pôr um sorriso pra tapar essa saudade, pensando o seguinte: cada sorriso dela na hora em que voltar, contando como foi vai valer cada segundo de saudade que a gente sentiu por aqui. Mesmo porque, quando ela voltar, vai nos contar os detalhes e ai a coisa fica mais interessante. Porque todos nós estaremos ali, do lado, ouvindo as histórias tendo viajado também um pouquinho. Mas no veículo de transporte mais rápido e seguro do mundo: a Imaginação.

Quem viaja carrega consigo na mala as lembranças de cada um que ficou e acaba se tornando os olhos, ouvidos, boca, nariz, mãos e pés de todos eles. É por isso que eu fiquei feliz quando soube. Sei que ela levará de mim um pouquinho e que esse pouquinho verá coisas inacreditáveis por ai afora. Pensando assim, amorteço um pouco da saudade que vou sentir.

No lugar de onde eu venho, quando alguém parte pra longe a gente diz: “Viva a Viagem!”. É só o que eu posso dizer à ela. Que ela viva essa viagem e que retorne cheia de coisas novas. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

Amizade

Esses dias atrás, reencontrei um velho amigo. Amigo mesmo, daqueles que podem passar os anos e a gente retoma a conversa do último ponto em que paramos e o papo segue sem fim. Chamo pessoas mais próximas de mim de “meu amigo, meu irmão” (uma alusão à um político que admiro muito, que também chama os outros dessa forma)  mas nesse caso, esse amigo que reencontrei chega a ser realmente um irmão, não de sangue, mas de vida.

É muito bom ter amizades dessa maneira. É uma troca de confiança, um suporte que temos em diversos momentos da nossa existência. Some-se à isso o tempo, que não perdoa e nos castiga com a velhice. Porém, mesmo com a ação devastadora do tempo, uma amizade forte não se rompe, não se esvai. E nesse ponto que eu quero chegar: pode passar o tempo que for e as amizades boas de verdade não desaparecem.

Nesse reencontro conversamos sobre muitas, muitas coisas. Relembramos aventuras, vitórias, alegrias, tristezas, acidentes, amores, família... até que chegou um ponto em que começamos a fazer um balanço das coisas que nós, com a idade que tínhamos na adolescência, pensávamos ter feito ou ser quando chegássemos à idade de temos hoje. Foi aí que tivemos um choque. Um choque de realidade: tudo o que imaginamos naquela época não aconteceu! Nossas vidas tomaram rumos totalmente diferentes daquilo que havíamos planejado. E mais, ambos tinham chegado aos 30 anos sem ter casado e sem ter tido filhos! Não havíamos formado famílias como nós tanto sonhávamos!

Talvez tenha sido falha no planejamento ou uma bela ironia do destino, mas nada, simplesmente nada aconteceu da maneira como idealizávamos. Mas tinha também outro fator ligado à isso: tanto ele quanto eu estamos contentes com o que somos hoje. E não mudaríamos nada se pudéssemos voltar ao passado. Incrível né? Foi a primeira coisa que perguntei à ele: “Mas e se você pudesse voltar e alterar?”; “Não mudaria nada cara! Tudo aconteceu na hora certa, do jeito que tinha que acontecer”. E eu concordei.

Temos sempre esse desejo, de voltar no tempo e fazer outras escolhas que – hipoteticamente – poderiam mudar nossa condição atual. Não vejo dessa forma. Cheguei à uma conclusão depois de 30 anos: tudo o que sou é fruto do que a vida e eu mesmo quis. Nem mais, nem menos. Não é discurso conformista, mas honestamente não me arrependo de nada na minha passagem até agora por aqui. Tenho dentro de mim uma convicção tremenda de que fiz tudo o que estava ao meu alcance para ser feliz e deixar os outros felizes. É claro que nesse caminho magoei pessoas. Mas também fui magoado. Fiz outros sofrerem. Mas sofri como os diabos. Enfim, sou um grande quebra-cabeças de mim mesmo e ainda não fui totalmente montado. Cada dia é uma pecinha que encaixo da melhor forma. E assim vou vivendo.

Sempre quis casar. Sempre quis ter filhos. E é isso o que procuro hoje em dia, uma pessoa que compartilhe dessa vontade e que queira construir algo em conjunto. Sempre quis ter uma mulher ao lado pra literalmente transformar em rainha. Se não tive ainda, talvez não tenha sido a hora, quem sabe? E esse foi o ponto principal da conversa. Quando era adolescente, queria isso logo. Hoje compreendo que tudo teve a ver com o tempo e que se ele ou as coisas não aconteceram daquela forma, cabe à mim, de agora pra frente administrar esse mesmo tempo à meu favor.

Concluí que se tivesse formado uma família há 10 anos atrás, hoje seria um homem frustrado, preso em mim mesmo e infeliz. Hoje, com a cabeça que tenho e com as possibilidades que se mostram pra mim, vislumbro outro futuro. Tudo à seu tempo. Tudo na sua hora.

Ali, encostado no capô do carro e conversando com esse grande amigo, puder perceber que certas coisas não mudam. A amizade é uma delas. E a vontade de encontrar minha rainha também.