sábado, 12 de março de 2011

O Tempo

Eu sempre achei que o tempo é a gente quem faz. Sempre fui dessa premissa. A gente arranja tempo pra tudo quando está afim de algo, de alguma coisa. A única coisa que não temos como controlar no tempo é o fato de ele vir, por que o até o ato de ele voltar, nós controlamos. Estamos sempre dentro do tempo e não o contrário.

O tempo passa literalmente diante dos nossos olhos. Quando você começou a ler esse texto já é passado, reparou? Porém você sabe que se continuar a ler será futuro, o futuro de terminar essa leitura, compreender o que eu quis dizer e partir pra fazer outra coisa. Isso é o futuro. Portanto, vivemos no meio desse empurra-empurra, entre o passado e o futuro. A isto chamamos de ‘presente’. O agora acabou ser de tornar passado. E até o final dessa frase já será futuro. Viu como é engraçado.

A grande questão é que você pode voltar ao passado. Sim, sim, exatamente! Se você parar de ler esse texto agora, pode correr os olhos e ver tudo o que já leu. Automaticamente você se lembrará do que escrevi, uma vez que compreendeu tudo o que estava escrito. Já com o futuro é diferente: É impossível querer saber o que eu escrevi aqui no final o texto, você não chegou lá ainda! Você pode até ler a última frase, a última palavra, mas não vai te fazer sentido algum se não ler o contexto todo até chegar lá. Posso estar falando aqui sobre o tempo e tal, e na última frase sei lá, falar de comida, uma coisa nada a ver. Você vai ficar se perguntando: “O que ele escreveu pra falar disso no final?”. Ou seja, por mais que você se ache completamente certo sobre como as coisas irão acontecer, por mais que você saiba o final, não vai ter tido a experiência de passar por ele, não vai saber como chegou ali. E ai não tem graça nenhuma.

É que nem aquele filme do Adam Sandler, “Click”. Ele ganha um controle remoto onde pode avançar ou retroceder na vida. Quando retrocede, vê as experiências boas e ruins que teve na vida. Isso o fizeram ser quem é. O problema é quando ele avança para o futuro. Ele vive no automático, sem sentido na vida. Enquanto tudo e todos vivem, ele se isola e os trata com total indiferença, afinal de contas ele mesmo não está lá e sim viajando no tempo, vendo até onde as coisas irão. Até que ele se dá conta de que as escolhas que fez são as que lhe moldaram o espírito e que não adianta viver no automático. O importante é viver. Seja lá como for.

É bem verdade que também tem muita gente que prefere viver no automático, passando a vida no sFF>>. Tem aqueles também que só vivem no passado, nostálgicos, lembrando tempos que já se foram e que não voltam mais. Ou seja, o passado é passado e o futuro eu não sei. Tem uma piada que eu ouvi esses tempos atrás: “Eu não sei o que vem pela frente. Mas que venha pela frente.” E mais ou menos isso.

Não adianta querer reviver velhas historias, abrir o baú e remexer o que já foi guardado há tanto tempo. Também não adianta querer fugir do futuro, deixar que as coisas simplesmente aconteçam e pronto, não estou nem aí. O importante é viver o presente, este sim que nos acompanha. Porque pode parecer filosofia barata, mas o presente é a única coisa que temos certeza que podemos fazer. Se quisermos mesmo, de verdade, podemos viver o presente. Automaticamente esquecemos o passado e construímos o futuro. Simples né?

Que sirva de lição para aqueles que gastaram o seu tempo lendo até aqui. Para os que entenderam o que escrevi, parabéns. Agora para os engraçadinhos que pularam tudo e estão lendo só agora, fica o meu recado. “Pois é, feijoada!”. Entendeu?