quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por quê?

Outra das "Cartas que eu nunca mandei". Essa é de 1999, tempo de faculdade, de Mirassolândia (eu era feliz e não sabia!). Escrevi parado na frente da casa de uma pessoa, num pedaço de caderno, debaixo de uma árvore, me escondendo da chuva. A idéia era colocar na caixa de correio para que ela lesse, mas a timidez foi muita. Hoje, passados 11 anos, me encontro na mesma situação. Zeus, como a história é cíclica e como a vida é irônica.


Por quê?

Por que é tão difícil?
Porque é tão complicado?
Porque tudo é assim extremo entre nós?
Porque é tão complexo a gente falar o que sente um pelo outro e porque sempre no final brigamos, ponto um ponto final em tudo?

Pra mim é tão simples falar que te amo.
Falo que te amo quando te vejo, ou quando ficamos nos olhando naquele espaço de tempo depois do beijo. Pra mim não há vergonha alguma.
Falo que te amo em público, não me importa a senhora e a criança no banco do lado,
Falo que te amo porque te amo e pronto. E isso é assim, mais forte que eu.

Mas porque você não?
O que eu te faço de tão ruim pra não me querer?
O que eu desperto em você que me rejeita tanto?
Porque a vergonha de ficar do meu lado de mão dada? Exploda-se o mundo! O que devemos?
Porque o medo abissal da reação dos outros como se outros precisassem aprovar?

Me sinto um lixo, um nada, um amontoado de carne que anda, fala, ri e chora
Tô aqui sentado, na porta da sua casa, escrevendo essas bobagens, te perguntado o porquê de tudo, mesmo sabendo que a resposta não vai aparecer.
Você não vai abrir a porta e me dar os porquês,
porque os porquês não existem.
São falsos.
Inconsistentes.

Hoje eu só precisava de você comigo pra te falar e rir o quanto fiquei feliz
Mas não tem porquê.
Chega! Cansei! Vou pra casa...
Procurar alguém que me dê respostas.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

FIM


Da série “cartas que nunca mandei”. Escrevi esta numa madrugada, em setembro de 2007, uma das piores fases da minha vida. Achei esse texto porque ouvi a música esses dias:

"Eu queria que as coisas fossem exatamente do jeito que as pessoas gostariam que fosse. Mas não são. Ninguém controla seus próprios sentimentos e eu, um reles mortal, também não.

Eu queria mesmo poder agradar as pessoas, sentir na mesma intensidade o que elas sentem, mas não consigo. Diante do meu passado, de tudo aquilo que já fui ou vivi, sou hoje um completo vazio, um oco que nunca há de ser preenchido. “Sou apenas a sombra do homem que um dia fui e parece não haver saída disso para mim. Sou apenas pedaços do homem que eu era”.

Não queria nada disso, não planejei nada disso, mas simplesmente acabou. Da mesma forma como veio foi, inesperado, intenso definitivo. O tempo que eu achei ser suficiente não serviu de nada e hoje, ao olhar pra trás, não reconheço meus passos. Tenho a nítida impressão de não saber de onde vim nem de como tudo começou. Me sinto perdido, funcionando no piloto automático, simplesmente chamando de vida o que acontece entre acordar e dormir.

A cada dia que passa a escuridão que se aproxima chega mais perto da minha alma e o destino que está reservado pra mim se torna mais real. Não há como fugir, não há como lutar. Eu queria mesmo ser comum, ter uma vida comum, amar como qualquer outro. Mas parece que isso não é pra mim, nunca foi. Me desculpa por fazer perder o seu tempo lendo essas bobagens sentimentalóides, mas a vida é assim e eu não tenho mais como lutar contra.

Cada qual escolhe suas próprias escolhas. Eu fiz as minhas. Certas ou erradas, eu fiz. E eu tentei. Mas ninguém controla o que sente. Espero que entenda".

É isso aí. Espero que  entenda.