terça-feira, 13 de julho de 2010

VILÕES

Sempre gostei dos vilões. Sempre torci pelos vilões. Quando era criança, assistia filmes só pra saber quem eram os vilões, como eles agiam e obviamente, como eles morriam no final. Posso dizer que sou especialista em vilões e suas vilanias. O lado do mal sempre me atraiu mais.

Os vilões normalmente são odiados. Pra mim, eles são incompreendidos. Os heróis, os “mocinhos”, quase sempre são responsáveis pela origem dos vilões e no final, acabam se dando bem. Já os vilões vão pra cadeia, são mortos ou caem em precipícios. Clichês do cinema que passam os anos mas não mudam.
Alguns vilões são tão antológicos que acabam sendo maiores do que seus filmes. Darth Vader, por exemplo, é sem sombra de dúvida o maior vilão da história do cinema.  Acontece que hoje, conhecendo a história como conhecemos, descobrimos que ele não passa de um pai que amou demais sua mulher e não teve a chance de conhecer seus filhos. Na infância, o jovem Anakin Skywalker queria ser um piloto, não um vilão terrível. A vida o fez ser assim. Os acontecimentos o levaram a se tornar frio e cruel. No final, descobrimos que tudo o que ele fez foi por amor e ódio de si mesmo. Ele nunca quis ser o vilão. Ele não teve escolha.

De uns tempos pra cá tenho pensado bastante nisso: a vida nos leva a desempenhar esses papéis. Enquanto os mocinhos fazem festa, curtem a vida, abusam de tudo e de todos, os vilões ficam lá, quietos, reprimidos, amargurando suas dores infinitas. Daí de repente, a vida parece dar uma chance ao vilão, uma oportunidade de ele se redimir, ser um cara legal. Porém, quando ele pensa que vai começar a viver, ter um pouco de felicidade, aparece novamente o herói e tudo se acaba. Seja numa briga ou seja roubando a mocinha, o herói se dá bem e o vilão volta pra sua caverna pra jurar ódio eterno ao mundo.

Estou percebendo que hoje, na sociedade moderna, as medidas estão erradas.  Quem trai, quem rouba a namorada do outro, que sacaneia alguém, quem mente, quem vai pra uma balada, bebe, toma drogas e tenta beijar uma menina à força, quem humilha as pessoas ou quem agride (seja física ou verbalmente) é o mocinho da história. O vilão é aquele que passou por todas essas agruras em silêncio, quem suportou tudo isso de boca calada. Este é o vilão! Ah os vilões, esses monstros! Criaturas das sombras, ardilosas, que planejam a vida inteira contra os jovens e bonitos mocinhos, malhados em educação física. E o pior: as mocinhas preferem os mocinhos! Os vilões merecem o desprezo.

É bem verdade que minha vida inteira eu fui o vilão da história. Sempre. Nas oportunidades em que imaginei estar tudo bem, tudo certo, vinha a vida e levava tudo. Ou então aparecia um mocinho e salvava o dia sem desmanchar o topete. Fui aprendendo a ser assim, a viver com o desprezo, a rejeição, a ignorância. Viver no escuro. Sempre foi assim.

Hoje eu não acho que os vilões sejam tão maus. Cada um tem um motivo pra ser o que é. O que acontece é que eu já não tenho mais força pra deixar de ser vilão. Me conformei com a ideia. Só penso que um dia desses, como no final de todo bom filme, eu não caia num precipício. No máximo volte pro meu laboratório, pra tentar dominar o mundo no dia seguinte.


sábado, 10 de julho de 2010

"Viva"

Publiquei esse texto no começo desse ano. E nada melhor que um momento como esse pra republicá-lo.

A vida não é justa. Nem engraçada. Nem nada. A vida é a vida e ela simplesmente passa. O grande problema da vida somos nós mesmos. Nós é que dificultamos o ato de viver.
Tornamos nossos dias insuportáveis com nossos egoísmos. Mas daí um dia a vida passa. E a gente se dá conta do tempo que perdeu. Das chances que perdemos, das coisas que podíamos ter feito.
Porém...
Sempre há tempo de "viver" a vida que escolhemos. A vida é feita de escolhas. Mas quem é que disse que temos que ser escravos de nossas escolhas? Não é porque eu escolhi algo errado que tenho que persistir no erro, tenho que sofrer com esta escolha. Basta eu simplesmente “desescolher” as minhas próprias escolhas, e colocar tudo no eixo, como era antes e como eu realmente queria que fosse. Sei que não é simples. Pra isso, é necessário
CORAGEM. Coragem de enfrentar família, amigos, emprego, tudo! Se você realmente quiser, nada há de impedir. Basta QUERER.
Sua vida quem vive, única e exclusivamente, é você. Só depende de você mudar ou se conformar.
E o conformismo é um ácido corrosivo que destrói tudo o que encosta. Imagino que o grande problema das pessoas hoje em dia é o conformismo. Nos conformamos com tudo: com a conta do celular que veio alta, com a corrupção na política, com a violência na esquina, com o preço das coisas. Nos conformamos até mesmo que somos conformados e, conformadamente vivemos nossas vidas mesquinhas. Falta de coragem, falta de querer, falta tudo.
De nada adianta viver uma vida se ela for vazia e sem graça. De nada (absolutamente), de nada adianta viver algo só por viver. Se não for pra valer a pena, não viva. Bote uma bala na cabeça e nos deixe em paz. O mundo quer gente que viva, não que sobreviva.
Ontem assisti um filme e o personagem principal, em sua quarta ou quinta frase diz empírica e enfáticamente: “Força e honra”. Um belo filme. Uma bela frase. Uma péssima idéia. Uma ótima forma de viver.

Viva. Da melhor maneira possível.