domingo, 10 de abril de 2016

Recomeço


É bem isso que esse texto é, um recomeço. Há anos não escrevo. Pelo menos não algo que sirva para ser publicado em um blog. Daí o sentido do recomeço, de buscar novamente as ideias para preencher esse espaço tão pouco visitado que eu mantenho, sabe-se lá por que. Talvez por ego, talvez por saber justamente que pouquíssimas pessoas sabem que existe, talvez porque preciso desabafar, dar vazão as milhares de opiniões que possuo sobre a vida e suas graças... enfim, preencher esse lugar já tão empoeirado e esquecido dentro de mim mesmo. Daí o recomeço...

Mas todo recomeço causa medo no início. Porque (filosofando gratuitamente) penso que se há algo para ser recomeçado é porque anteriormente o que se está recomeçando teve um fim. E esse fim necessariamente não foi feliz, não deu certo. Daí o seu fim. Naturalmente passamos um tempo em suspensão – um tempo que varia de cada um pra cada um – até termos a vontade de recomeçar, darmos uma outra chance àquilo que não deu certo da outra vez. Porém agora, há uma vantagem: sabemos como terminou da outra vez e dessa, nos preparamos para não cometermos os mesmos erros. É como se estivéssemos no filme ‘Titanic’, mas sabendo o que fazer para que Jack não morra congelado no oceano.

Todo recomeço também é conturbado, cheio de transtornos e dúvidas. Muitas delas latejando na mente: “Será que é o certo? Será que é isso mesmo que eu quero?”. Lógico, não há respostas racionais pra isso. Só há o instinto de continuar e pagar pra ver.

Mas há uma enorme vantagem sobre se recomeçar algo: a aprendizagem. Aprendemos com os erros, são os nossos melhores professores. Quando erramos muito em algo, quando tomamos a pior decisão na vida, aprendemos em seguida. Muitas vezes não temos a oportunidade de reparar esses erros, mas aí vem a vida e vira tudo de cabeça pra baixo. Quando vemos, estamos diante de uma nova chance. Quando vemos, estamos diante da possibilidade de concertar tudo. Quando vemos, podemos recomeçar tudo. De novo. Sem erros.


Cabe a nós sermos os reparadores dos nossos erros. Cabe a nos termos a coragem de recomeçar nossas histórias. Cabe a nós recomeçarmos e termos um novo fim. Com o tempo que temos, com o tempo que nos é dado.

sábado, 28 de julho de 2012

Aniversário

Então, amanhã é meu aniversário.

Eu sempre gostei de aniversários. Sempre achei que nesses dias fechamos um ciclo e reiniciamos outro. É como se o ano começasse pra gente sabe? Sempre pensei assim. E gosto desse pensamento. Dá um certo ar de finitude, de encerramento de um período e começo de outro.

Também me causa estranheza o passar do tempo. Aniversários indicam que o tempo está passando e que estou ficando velho. Quando me olho no espelho (principalmente nesses dias), vou reparando ano após anos as rugas e marcas de expressão surgirem. É quanto tenho a noção mais clara do tempo passando por mim e das coisas que fiz até agora. E das que ainda não fiz.
E é também no meu aniversário que faço um balanço mental de tudo o que me ocorreu no ano, as coisas boas e as ruins. É bem verdade que nos últimos anos, as ruins tem ganhado com ampla vantagem, mas sempre penso pelo lado bom: elas já passaram e eu estou aqui, sobrevivendo.

Lembro também dos meus aniversários anteriores, os da infância – aqueles que as mães fazem questão de registrar em álbuns enormes de fotos. Tempos em que a ansiedade por uma festa ou o presente que havíamos pedido tomava as semanas anteriores à data. Bons tempos! Hoje, com 32 anos, posso dizer que sempre comemorei bem meus aniversários e que, por mais simples que fossem essas comemorações, sempre passei com as pessoas que mais admiro e respeito.

Então, amanhã é meu aniversário. E já se foram 32 datas como essa. Que venha mais um ciclo, que venha mais um ano. Os presentes eu dispenso. Só não dispenso a presença – e os cumprimentos – das pessoas importantes ao meu redor. As que fazem com que eu seja quem sou e as que, de uma maneira ou de outra, compartilham comigo dessa loucura que chamamos de VIDA.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Silêncio

























Não há palavras. Não há palavras. Simplesmente não há nada a ser dito.

Em algumas ocasiões durante a vida, somente o silêncio deveria existir. Não que ele não exista (pois existe), mas defendo que em determinadas situações uma palavra não deveria ser dita. Jamais.
Seria uma espécie de trava. Deveríamos todos ter um sistema que antecipasse as consequências de nossas palavras. E em alguns casos, a melhor opção seria simplesmente não dizer nada. Os rumos seriam completamente outros, desentendimentos não ocorreriam, guerras poderiam ser evitadas, vidas poderiam ser poupadas só pelo simples fato de não dizermos nada! Mas não existe tal sistema. E insistimos em dizer mais do que podemos, mais do que deveríamos.

Quem nunca disse uma frase no calor de uma discussão e depois de arrependeu? Quem nunca fez um comentário infeliz sobre seu passado para a pessoa amada e causou uma briga infantil? Quem nunca disse “aceito” quando na hora deveria dizer “recuso”? Quem nunca disse que ia e não foi? Quem nunca disse sim querendo dizer não? A vida é cheia desses enganos e nessas horas só o silêncio deveria ser a resposta.
Poucas pessoas dominam essa técnica de não dizer nada na hora certa. Jesus por exemplo, foi um desses caras. Quando Pilatos lhe perguntou “então, o que é a verdade?”, não houve resposta. Na verdade, não havia verdade e qualquer coisa que ele disse ali seria banal, retórico. Porém seu silêncio foi determinante pra que o próprio Pilatos não lhe achasse um criminoso. É bem verdade que Jesus acabou crucificado, mas o tal silêncio falou muito mais do que qualquer palavra dita.

Citei Jesus, mas poderia ter citado muitos outros. Por exemplo os que morreram nos porões na Ditadura sem entregar os companheiros de luta pela liberdade do Brasil. Também poderia citar os russos, que silenciosamente usavam laços ou roupas brancas em frente ao Kremlin no último dia 01/04 protestando contra o governo. São tipos de silêncio que mais se parecem gritos diante do que representam. Mas estão presentes. Fortes. Ruidosos. Silenciosos.

O silêncio também pode representar uma ausência. A ausência de informações, de notícias sobre a vida de alguém. Hoje, neste mundo dominado por redes sociais, aparecer na Internet é quase que uma obrigação. Dizer onde esta, com quem e fazendo o quê tornou-se uma necessidade e são poucos os que se negam a isso. Permanecem em silêncio e somem no meio da multidão. Não saber sobre a vida de alguém hoje em dia dói. Saber então dói mais ainda.

É bem verdade que um silêncio tem se abatido sobre nós. Um silêncio furtivo, discreto, mas vivo e presente. E é muito ruim quando isso acontece. O silêncio hoje nos torna cegos.  É uma inversão completa de sentidos (visão versus audição), mas é mais pura verdade. E tal silêncio acaba nos afastando, levando as vidas em sentidos contrários, muitas vezes distantes de onde realmente gostaríamos de estar.

Há de se quebrar o silêncio. Imediatamente. Só assim poderemos saber de onde está sendo emitida a verdade. Só assim podemos enxergar o que o silêncio não nos diz.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Presença


De alguma forma estou sempre presente.
Nos mais pequenos gestos, nas mais corriqueiras ações. A presença sentida é justamente a minha que, de alguma maneira, está ali naquele momento.
Até em filmes isso já foi retratado. O tal vampirinho que brilha com a menina melancólica já interpretaram algo parecido. Parece algo impossível de acontecer mais é mais comum do que parece. E o motivo é simples: a saudade. A saudade – palavra que, com este sentido só existe na língua portuguesa – é a força motriz por trás dessa presença. É a minha saudade somada à sua que nos fazem presentes um pro outro. Confesso que já perdi a conta de quantas vezes te senti aqui do meu lado, respirando, vivendo. Parece que mais um pouco e eu vou poder te tocar. E como num passe de mágica sua imagem some da minha visão e só fica o seu rastro, um espectro da sua imagem.
Também confesso a minha culpa, minha ausência planejada. Me ocupo com tantas outras coisas e me anulo, me ignoro, me negligencio. A culpa é minha, eu sei. Eu que escolhi assim, arco com as consequências.
Acredite, eu estou sempre do seu lado. E sempre vou estar. Porque não há mais como tirar isso de mim. Principalmente a saudade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tentativa de escrever um pequeno poema





















Não, não chores.
Olhai ao redor e vede o quão bela é a vida.
Creia que tudo o que passares nesta existência somente te edificará
e te tornará mais forte, mais humana, mais gente.

Não chores os dias nublados.
Não chores pois acima das nuvens ainda é dia
e este é tão belo quanto tudo o que há pra ser.

Também não te julgues pelos quases que a vida te trouxe
porque na verdade a própria vida é um quase sem fim

Creias que tudo passa e que, de uma forma ou de outra
não há bem que nunca há de acabar nem mal qualquer que perdure sempre.
Erga a cabeça. Enxugue as lágrimas. Abra um sorriso.
O sorriso mais belo e cativante, próprio dos teus lábios
que é capaz de destruir o mais duro escudo
do mais duro coração.

Seja leve. Seja sempre. Seja.
Não leve mágoa alguma. Simplesmente deixe o que te chateia de lado e siga em frente.

Em algum dia, em algum lugar, essas palavras surtirão efeito
e você verá, no cair de uma tarde,
que o maior amor do mundo não está lá fora e sim
dentro de nós mesmos.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Futuro


Eu já pensei tanta coisa. Já refiz tanto os meus planos. Já tive tantas certezas e incertezas que a única certeza que eu tenho é que não sei completamente de mais nada.
De uns tempos pra cá tenho tomado algumas decisões. Umas boas, outras más. Também tenho voltado pra resolver algumas velhas pendências que há muito estavam pra ser resolvidas. Tenho tirado dos meus guardados algumas coisas bem velhas e as jogado fora. Outras, rearranjei lugares e as guardei novamente, mas agora com outro objetivo. Voltei a usar relógio, coisa que não fazia há anos. Concertei o alarme do carro, que também não funcionava mais. Joguei sacos e sacos de papel fora, entulhos que fui acumulando nesses anos todos e que só ocupavam lugar. Optei por dizer mais não do que sim. Optei por ser menos simpático com quem nunca me viu na vida. Optei por não perder mais o meu tempo com coisas desnecessárias. Até meus documentos estou providenciando novos. Há bem da verdade, estou farto de esperar e protelar as coisas pra amanhã.
Sabe o que eu quero com tudo isso? Me preparar para o futuro. Porque imagino que assim, me livrando das coisas que acumulei com o meu passado, possa estar mais limpo e pronto para o que vier daqui pra frente. Entendeu?
Já algumas coisas, algumas pessoas, eu guardei aqui comigo. Talvez porque fossem preciosas demais, caras demais, eu as tenha privado nesse momento de enfrentar do meu lado tudo o que eu vou enfrentar daqui pra frente. Mas isso não faz com que eu goste delas menos, pelo contrário. É talvez por saber que o tempo ainda é muito recente que as guardei em lugar privilegiado. 
Daí meu subconsciente me martela à esta hora da madrugada me dizendo que estou fazendo errado, que por isso mesmo é que tais pessoas deviam estar comigo, ao lado, cuidando e zelando de mim. O que ele não sabe é que eu nunca estive tão lúcido na vida a ponto de ter tanta certeza do que estou fazendo. Não posso fazer com que os outros trilhem o meu caminho ao meu lado, porque logicamente poderão se machucar na selva pela qual eu embrenharei. Opto portanto em abrir o caminho primeiro pra depois voltar e buscar quem eu deixei pra trás. Pode até ser que quando eu volte não haja mais ninguém, mas eu terei a certeza de que todos ficaram seguros onde eu os deixei.
Por mais incrível que pareça, devo reconhecer que diante de alguns fatos – e principalmente de algumas pessoas que conheci nos últimos tempos – eu tenho voltado à conversar (mesmo que sozinho) com este senhor a quem chamam de “Deus”. É mais um monólogo do que uma conversa. Pois bem. Ao final do meu discurso peço à ele só uma coisa: que tudo de ruim aconteça comigo e não com aqueles com quem me importo. Peço para que todos os males recaiam sobre mim, porque eu sei que eu aguento. Dessa forma, imagino que livro algumas pessoas de riscos maiores.
Saibam que eu cogito todas as formas de amar e também faço todos os planos do mundo. O futuro é logo ali e quem sabe, com a minha lógica torta, livre das minhas amarras do passado e com o aval de Deus, eu não consiga colocar todas as coisas em ordem um dia? Quem sabe?